Archive for the ‘Nostalgia’ Category
Um presente com laço de fita e uma lágrima
Eu não tinha mais do que 4 anos. Os dias eram sempre quentes, até os nublados. É como me lembro deles.
A noite, a garagem ficava fresquinha, ventilada, as lagartixas passeavam pelo teto. E ficávamos na cadeira de balanço… eu devidamente aconchegada no colo dele. Os “causos” eram os mais malucos e surreais possíveis. Lagartixas falantes, móveis nas nuvens, fogueiras até o céu, pessoas que viravam bichos, estrelas risonhas.
Nunca tive nojo das pequenas branquelas, que andavam em ziguezague para me fazer dormir, como a maioria das pessoas. Elas sempre foram referências diretas ao tempo que o mais complicado na vida era entender o porque dos trovões quando chove, porque não se pode dar todo o milho do latão às galinhas, a hora que o trem passeia perto da minha janela.
Ainda hoje, aos 32, eu tenho a companhia de uma osga no meu quarto. Já mudei algumas *muitas* vezes de casa, de quarto. Sempre, sempre, aparece uma pequena para morar comigo. E sempre na minha hora de dormir ela resolve passear pelas paredes, alucinando, obviamente, os felinos que não me deixam dormir só.
É doce imaginar que de alguma forma é ele presente. Vigiando, velando, protegendo.

E quem sabe de mim entende que é ele que me inspira, me protege e me faz falta. Todos os dias… todos!
Dos gigantes, da terra dos adultos, vc nunca me fez medo. Sua mão estava lá para dar suporte e carinho; suas palavras marcaram a alma; o brilho dos olhos eram reflexo puro e simples do nosso amor.
Vc não me viu crescer, não pode me dar colo qdo partiram meu coração, não poderá entrar comigo na igreja, nem carregar os filhos da sua filha… mas está presente em cada gesto de carinho, em cada palavra doce, em cada gota de chuva. É meu anjo protetor, minha lembrança mais doce, minha saudade mais doída.
O homem da minha vida, de todas elas.
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Confesso que tentei não repetir o texto acima -após a foto – *escrito no primeiro post deste blog*. Mas ele ainda é a melhor descrição que consigo fazer, embora nenhuma palavra traduza exatamente o sentimento.
Alias, sentimentos nem são para serem descritos. Pelo menos não por alguem como eu.
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Do que faz direito essa coisa de falar da poesia dos pequenos relevantes fatos da vida:
Danilo: Maria, só Maria
Dan, qualquer coisa escrita aqui será apenas repetição do já dito. Vc sabe o quanto admiro a sua capacidade de traduzir, exprimir, transcrever sentimentos. A Maria tem sorte de ter você, e sei que você sabe da sua sorte em tê-la. Feliz Dia dos Pais.
Menção honrosa:
Dany Você é um doce e uma fortaleza. Admiro essa sua força! Parabéns, domingo é um dia seu tb =]
Pedaços do passado… uma saudade boa!
Muito do que sou hj herdei da minha infância. #fato!
Lembro muito das férias na casa dos meus tios *sempre em cidades diferentes, já que meu tio era transferido para um canto novo a cada 2 anos*
Minha tia Regina *irmã da minha mãe* toca piano lindamente, com uma postura perfeita, um olhar doce e mãos suaves! E sempre tocava para meu tio qdo ele voltava de alguma, das muitas, viagens a trabalho. Sempre começava com a mesma canção *nunca declaramente a “música deles” mas muito facilmente identificada como uma canção marcante na linda história de amor dos dois*
Era estranho na época entender como um homem sério, rigoroso e de poucos sorrisos se transformava imediatamente ao ouvi-la tocar.
A música: A noite do meu bem – Elis Regina *composta pela Dolores Duran*
Não era cantado, apenas o som das teclas ecoava pela casa… mas cada nota enchia os ouvidos e os corações de uma certeza que amor era de fato possível, mesmo entre seres tão diferentes.
Sempre fui meio romântica por genética, deve ser algum defeito herdado das mulheres da minha família *embora minha mãe pareça uma exceção*. Aprendi o básico nas aulas de piano, mas nunca consegui ter a disciplina e paciência necessárias para tocar realmente. E, sinceramente, não tenho mais o coração tão crédulo quanto aos amores românticos e casais perfeitos.
Mas de vez em quando, bem raramente, eu me permito voltar aos tempos de criança, fechar os olhos e lembrar do tempo que as coisas eram fáceis, leves e possíveis.
E se eu pudesse dedicar uma música, seria para o Marcelo, meu tio “cara de tutu”, para que lá nas estrelas mais brilhantes ele soubesse o privilegio que é ser a “cara de broa” dele.
Eu quero uma casa no campo…
Dia de chuva me lembra infância, minha infância.
Eu tive muita sorte porque tive o melhor dos mundos: o da fantasia!
Todas as explicações eram mágicas e isso não me fez um adulto alienado nem incapaz de aceitar as piores expressões da realidade humana. Mas me deu essa capacidade, quase sempre infinita, de ver magia nas coisas mais simples. *meio síndrome de Peter Pan, eu sei*
Esses últimos dias tem chovido direto… todos os dias, o dia todo.
É inevitável não pensar nos tempos de pequena, qdo meu avô me pegava no colo e contava sobre trovões, raios e relâmpagos… e ter saudade.
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No dicionário:
chuva | s. f. | s. m.
s. f.
1. Água que cai das nuvens.
2. Fig. Abundância (do que sobrevém).
3. Fitas ou glóbulos de fogo-de-artifício que soltam os foguetes.
4. Bras. Bebedeira.
5. Chave falsa, gazua.
6. Poste telegráfico.
s. m.
7. Bras. Pop. Bêbedo.
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Na Wikipédia:
Chuva é um fenômeno meteorológico que consiste na precipitação de água no estado líquido sobre a superfície da Terra. A chuva forma-se nas nuvens. Nem todas as chuvas atingem o solo, algumas evaporam-se enquanto estão ainda a cair, num fenômeno que recebe o nome de virga e acontece principalmente em períodos/locais de ar seco.
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No Pessoa:
“Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.”
“Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme.
Quando a alma é viúvaDo que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que pareceQue não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…
Não paira vento, não há céu que eu sinta.Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…”
“Nunca Te Vi, Sempre Te Amei”
Sinto uma falta das cartas… aquelas de papel, colocadas no correio, com selos e escritas a mão.
Mas não me entenda mal. Eu amo a troca rápida e fácil de ideias. Como os espaços parecem sumir e aproximar as pessoas… mas no meio de um monte de gente que fala fala fala fala… alguem realmente diz alguma coisa?
Cartas são testamentos, fotografias escritas de um tempo importante… que duram pra sempre. *ou o sempre do papel*
Ainda espero o carteiro… um dia chegará um pedaço de carinho no meio das contas de todos os dias.
“Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah! que saudade
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E alem disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar um novo amor
Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador
Minha janela não passa
De um quadrado
A gente só vê cimento armado
Aonde antes se via o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor”carta ao tom - chico buarque
Final de “As Pontes de Madison”
(Com Clint Eastwood e Meryl Streep)
*eu não canso de ver e rever essa parte*