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Dos desejos escondidos…
Há de haver em algum lugar perdido ou escondido alguém sem medo de amar e se entregar.
Há de aparecer esse alguém, me tomar pela mão e me fazer acreditar novamente que sonhos – personificados ou não – são possíveis.
E quando aparecer, venha com lírios e tulipas, cheiro de chuva e gosto de orvalho.
Acenda mil velas em sua casa, me faça dançar como as sombras refletivas nas paredes.
Deixe-me esquecer das manhas solitárias e das noites intermináveis.
Faça parar o mundo ao redor… tire meus pés do chão – me faça flutuar –
E quando nem mesmo o medo consiga nos encontrar, tome-me sua, por completo!
Acordando…
Ontem me vi contando uma mentira. Dessas que contamos quando queremos acreditar que somos exatamente como nos descrevemos, talvez numa tentativa desesperada de transformar em realidade um desejo escondido.
Disse que sempre espero o pior das pessoas, acredito que irão me decepcionar e falhar em algum momento importante, senão crucial da relação. Mentira!
Eu sempre espero que os outros pensem e reajam como eu. Que se entreguem sem medo. Que percebam o peso de uma palavra errada. E que quando errem, saibam a importância do perdão.
Eu tenho grandes amigos. Pessoas incríveis! Insubstituíveis! E seria injusto generalizar.
Na verdade, o que eu quero dizer é: quando um (e basta um) te decepciona, o mundo inteiro parece mudar. Eu procurei pelo amigo em você. E seja por medo, por falta de vontade, por outras prioridades ou por qualquer outra coisa, eu não te achei.
Verdade, você me avisou das suas reações quando se sente vulnerável. Me falou da vontade de se isolar e se afastar do “fogo”.
Nunca esperei que justo você, que sabe sem que eu precise dizer, fosse “não entender” a importância do momento.
Deve ser carência, deve ser algo “meu, que estou transferindo” erroneamente a você. Deve ser porque eu te levo a sério demais… e sonhos são leves e passageiros como brisas.
Acertei, sem querer, sua descrição. Um sonho… que como todos, acaba!
Just a dream
Eu e o Sonho dançamos a noite toda. Flutuávamos enquanto o tempo andava lentamente. O cheiro era doce, o vento frio, bem baixinho ouvíamos Sinatra cantando, só pra nós dois.
O despertador me roubou dos seus braços, mas a sensação ficou o dia todo. Meu corpo ainda sente sua mão me segurando pela cintura.
Próxima noite desligarei o despertador, mandarei o mundo parar, todas as obrigações desaparecem. Serei sua novamente.