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Kairos
Eu tenho medo de te guardar… medo do que pode surgir, de novo, somente em mim. Do amor que nasceu, da certeza que ficou, do beijo que escolhi, da entrega por completo… medo de olhar e perceber que apenas em mim ficou cada momento nosso.
Eu pulo, sempre. E por você me atiro no maior dos abismos, só pq, aos poucos e com esse seu jeitinho especialmente doce, você me roubou o chão, me deu brilho aos olhos, um sorriso interminável, uma alegria contagiante, curou as feridas.
Escrever para um escritor é tarefa ingrata. Algo que soa banal.
Na verdade o que importa é: a mão está estendida, o coração entregue, a vontade de cuidar e proteger existem e você sabe disso. Alias, você sabe antes de saber, antes de dizer, quase antes de sentir.
“I’LL FIND A PEACEFUL PLACE
FAR AWAY FROM THE NOISE OF A BUSY DAY.
WHERE WE CAN SPEND OUR NIGHTS COUNTING SHOOTING STARS.”
Não queria te ver com medo e deixar passar a chance de agarrar o momento! Assim de frente, pelos cabelos! Mas seria pedir demais…. cobrar demais!
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”
“…E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim…”
Só precisa você dizer que sim!
“Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou.”
Dá-me a tua mão
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
Clarice
Acordando…
Ontem me vi contando uma mentira. Dessas que contamos quando queremos acreditar que somos exatamente como nos descrevemos, talvez numa tentativa desesperada de transformar em realidade um desejo escondido.
Disse que sempre espero o pior das pessoas, acredito que irão me decepcionar e falhar em algum momento importante, senão crucial da relação. Mentira!
Eu sempre espero que os outros pensem e reajam como eu. Que se entreguem sem medo. Que percebam o peso de uma palavra errada. E que quando errem, saibam a importância do perdão.
Eu tenho grandes amigos. Pessoas incríveis! Insubstituíveis! E seria injusto generalizar.
Na verdade, o que eu quero dizer é: quando um (e basta um) te decepciona, o mundo inteiro parece mudar. Eu procurei pelo amigo em você. E seja por medo, por falta de vontade, por outras prioridades ou por qualquer outra coisa, eu não te achei.
Verdade, você me avisou das suas reações quando se sente vulnerável. Me falou da vontade de se isolar e se afastar do “fogo”.
Nunca esperei que justo você, que sabe sem que eu precise dizer, fosse “não entender” a importância do momento.
Deve ser carência, deve ser algo “meu, que estou transferindo” erroneamente a você. Deve ser porque eu te levo a sério demais… e sonhos são leves e passageiros como brisas.
Acertei, sem querer, sua descrição. Um sonho… que como todos, acaba!
sobre Sonhos, delícias e pecados
Desacelerar algo que não consigo controlar
Entender algo não-racional
Controlar algo alheio a minha vontade
Querer algo inatingível
Fazer algo improvável
Seguir algo que não acredito
Confiar em algo já tão desacreditado
Deixar algo para trás
Conquistar algo novo
Perceber essa linha tênue, delicada e frágil. Perceber essa profundidade do querer. Perceber essa coisa contraditória. Perceber as vantagens da entrega rara, mas completa e verdadeira. Perceber o que realmente importa…
Ao Sonho
Ah Babe, se essas crianças soubessem como vc faz… se esses que se dizem homens-amantes-garanhões soubessem como despertar esse desejo infinito que vc desperta com doçura e Billie Holiday…
Agora vejo com tanta clareza as diferenças entre os seres.
Uns crônicas, humorados, indiretos…
Uns contos, concisos, conflitivos…
Uns romances, épicos, heterogêneos…

E vc, poesia pura!
Versos de sutileza e estrofes impetuosas de desejo
Um vulcão que desperta aqui dentro.. faz arrepiar e suspirar…
O cheiro do seu corpo, cada espasmo, cada gesto, gosto de meia taça de vinho…
E seus gemidos são saraus.
Os toques são como versos livres, não seguem nenhuma métrica e despertam todos os sentidos!
Imaterial e transcendente…. Arte!
Somos, os dois, culpados. E pecadores, docemente pornográficos.
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Um post a 4 mãos… as minhas e as do Sonho!
Feliz cidade
“Quer encontrar sua felicidade? Pare de procurá-la nos outros!”

Nossa felicidade só depende de nós mesmos e mais ninguém.
Acho que talvez essa seja a mentira que mais queremos acreditar.
Alguma pessoa, qualquer uma, em qualquer extremo da vida, consegue ser feliz mesmo sozinha?
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Antes:
Acredito que felicidade não é um estágio. Felicidade é um momento. Longo, profundo, mágico, relevante, ou não… mas, mesmo assim, um momento.
“…pluma que o vento vai levando pelo ar / Voa tão leve / Mas tem a vida breve / Precisa que haja vento sem parar”
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Num grau maior ou menor, as reações e ações dos outros atingem nosso humor, nosso rumo, nossas vidas. E isso não influenciaria nossa“felicidade”?
O sorriso de uma criança num parque, o mau humor do vendedor da loja, a garota linda que te deu mole naquela balada, um abraço de um amigo, o cobrador do ônibus que deu troco errado, alguém que te roubou o coração, uma ligação no meio da noite, um amigo com problemas, o chefe com bom humor, um colega de trabalho que te passou a perna no projeto, o professor que zerou sua prova, o seu time que perdeu o campeonato, um irmão casando, visita da família num domingo de sol… nada disso interfere nessa sensação de felicidade?
E mesmo que seja verdade… mesmo que felicidade seja uma escolha, um estado que dependa apenas da nossa vontade de sermos alienadamente felizes apesar de todas as interferências, mesmo que não precisemos de mais nada alem de nós mesmos, mesmo que o pouco seja tudo e mais um pouco… ainda assim eu quero mais!

É que ainda sinto falta daquele alguém que entenda o significado do meu olhar, alguém que conheça as referencia e as piadas, que saiba como fico quando acordo, entenda minhas mudanças de humor, minha paixão desmedida pela Lua, saiba o suco e o prato favoritos, e entenda o porque do choro sempre que sento para observar o mar… essas coisas banais e fúteis do dia-a-dia que fazem toda diferença… que me deixam boba e ser ar!
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Ouvindo: Van Canto – Take to the sky
Pedaços do passado… uma saudade boa!
Muito do que sou hj herdei da minha infância. #fato!
Lembro muito das férias na casa dos meus tios *sempre em cidades diferentes, já que meu tio era transferido para um canto novo a cada 2 anos*
Minha tia Regina *irmã da minha mãe* toca piano lindamente, com uma postura perfeita, um olhar doce e mãos suaves! E sempre tocava para meu tio qdo ele voltava de alguma, das muitas, viagens a trabalho. Sempre começava com a mesma canção *nunca declaramente a “música deles” mas muito facilmente identificada como uma canção marcante na linda história de amor dos dois*
Era estranho na época entender como um homem sério, rigoroso e de poucos sorrisos se transformava imediatamente ao ouvi-la tocar.
A música: A noite do meu bem – Elis Regina *composta pela Dolores Duran*
Não era cantado, apenas o som das teclas ecoava pela casa… mas cada nota enchia os ouvidos e os corações de uma certeza que amor era de fato possível, mesmo entre seres tão diferentes.
Sempre fui meio romântica por genética, deve ser algum defeito herdado das mulheres da minha família *embora minha mãe pareça uma exceção*. Aprendi o básico nas aulas de piano, mas nunca consegui ter a disciplina e paciência necessárias para tocar realmente. E, sinceramente, não tenho mais o coração tão crédulo quanto aos amores românticos e casais perfeitos.
Mas de vez em quando, bem raramente, eu me permito voltar aos tempos de criança, fechar os olhos e lembrar do tempo que as coisas eram fáceis, leves e possíveis.
E se eu pudesse dedicar uma música, seria para o Marcelo, meu tio “cara de tutu”, para que lá nas estrelas mais brilhantes ele soubesse o privilegio que é ser a “cara de broa” dele.
desabafo!
eu não faço sentido.
eu não preciso fazer… pq sou sentimento. e hj, doe.
escrever é uma tentativa de desabafo… uma forma de aliviar o que o choro não consegue (e pra mim, sempre chorona, não conseguir chorar é algo assustador)
todos me avisaram, eu me avisei… ele avisou. (embora agora tudo pareça menos poetico, mais falso e egoista do que antes)
um gostar que nasce com medo é destinado ao fracasso. e essa é a maior de todas as angustias. falhar sem poder começar. não poder tentar (embora digam que certas coisas são pra acontecer… eu acho que deve haver o minimo de esforço, mas enfim…)
até que ponto eu me engano sozinha? até onde eu invento uma desculpa pra tudo? acho que é melhor acreditar que eu sou realmente muito ingênua.. pq acreditar que o outro viu a esperança nascer, e até ajudou ela florescer é cruel demais.
sabe o pior? eu devo gostar MUITO de sofrer. pq ainda agora (destruída e cansada de lutar) eu me pego querendo ajudar, querendo dar colo, ser toda carinhos e consolos!
não entendo pq as pessoas escolhem caminhos “faceis”, quase sempre os que levam ao erro, apenas por medo de arriscar. não entendo pq elas falam coisas e sentem (e agem) de outra.
eu nem me entendo… não entendo, mas me vi largando todas as minhas defesas por alguem que não me merece (nem quer merecer, e ainda assim desperta o melhor que há em mim).
ele ilumina na mesma itensidade que fere
ele dar prazer com a mesma força que machuca
ele saiu rápido, assim como entrou na minha vida
e se existe algo “pra sempre”… pra sempre terei cicatrizes!
a velha vontade de morrer voltou. pena não ter coragem, nem loucura suficiente…
eu preciso de colo, preciso de aguem que não está mais aqui…
ser a velha solitária ds gatos parece uma projeção viavel e segura.
desisto dessas coisas de amar….